quinta-feira, 25 de junho de 2009

Era uma vez...




Era uma vez uma menina cujo nome não sabia, uma menina normal, igual a tantas outras mas diferente de algumas. Os seus pais divorciaram-se quando tinha 3 anos, praticamente cresceu com duas familias separadas que nunca se lembra de ter visto juntas, a não ser em fotografias, que sem querer ás mãos lhe vão cair. Os seus pais fizeram a vida deles, o pai casou-se com uma senhora açoriana e a mãe enamorou-se por outro homem. A menina nunca pôs entraves nenhuns aos relacionamentos de ambos, gosta da madrasta e do padrasto também, embora a mãe nao se tenha voltado a casar e viva com a avo da menina. Os anos passaram-se e a menina foi crescendo sempre a sentir-se como um objecto nas mãos dos próprios pais:

- hoje ela vem comigo!
- Não ela fica comigo, e acabou a mãe dela sou eu!
- Filha escolhe com quem queres ir?

- Não....

Não lhe fazam isso, a menina sentia um aperto forte no peito, corria para um sitio fechado onde ninguém a visse e ali permanecia, chorava até os olhos lhe arderem, questionava-se porquê que tinha de escolher? porquê que os pais lhe faziam chorar quando todos os pais só querem que os filhos sorriam....

Todos os anos era o mesmo, fim de semana em casa de um, fim de semana com o outro, 15 dias de férias com um , 15 dias com o outro... e não havia um único momento em que a menina podia estar bem com os dois! Para estar bem com um....tinha que estar mal com o outro!

- não queres ir comigo? gostas mais do teu pai não é?
-então vai, vai morar com ele. Deixas de ser minha filha!

- Ai é? vais passar o fim de semana com a mãe, tudo bem, tu é que sabes. Não me procures mais!

CHEGA!

A menina cresceu no meio disto, nunca lutou por nada, mesmo desejando muita coisa nunca contou a ninguém o que sentia, nunca contou a ninguém as noites que passava a chorar, nunca perguntou porque? Ninguém lhe daria essa resposta...

Se pedisse para ir passar um fim de semana com o pai a mãe dizia que ela nao gostava da sua familia... Se dissese ao seu pai que ia ficar na mãe, o pai ficaria chateado... Então quem poderia ajudar esta criança? ela sorria por fora e chorava por dentro!
No entanto nunca deixou de ser uma boa aluna, tentava sempre conseguir o melhor para fazer sorrir os pais, afinal ela gostava de ser gabada pelos pais, de ouvir a mãe disser:

- A minha filha é a melhor, nunca tirou uma negativa!

O relacionamento que a menina mantinha com a mãe, não era de mãe amiga, havia dias que mal se falavam, era um relacionamento complicado e difícil, a menina pensava em quantas vezes a mãe lhe tinha dado um abraço, um beijo de boa noite, um carinho, uma palavra amiga... contava-se pelos dedos essas vezes. Já o relacionamento com o pai, apesar de mais afastados, uam vez que a menina morava com a mãe, o seu relacionamento era óptimo, com ele a menina falava dos problemas da escola, falava das amigas, abraçava, beijava, brincava... mas havia sempre aqueles momentos de escolha e apesar de o relacionamento com mãe não ser dos melhores, ela aceitava tudo oq ue a mãe lhe dissia:

- Não vais este fim de semana par ao teu pai, vamos sair.
- mas mae...
- Nao ha mais conversas...
- esta bem, eu ligo ao pai avisar

Mas ela sabia que a mãe gostava dela, só tinha medo, medo que um dia a menina quizesse ir morar com o pai, mas não entendia que agir assim, só piorava as coisas!

Chegou os anos da rapariga, sim ja nao era nenhuma menina, tinha acabado de fazer 16 anos, e pela primeira vez apaixonou-se... era um amor diferente de tudo, ao mesmo tempo era uma cumplicidade e uma amizade que não dava para descrever. Encontrou nesse rapaz tudo o que não consiguia encontrar em nínguém: Paz, conforto, amizade, alguém comq uem podia falar que lhe consiguia entender. Passado um tempo, a mãe opôs- se ao namoro e começou uma luta muito triste e dolorosa. Mãe é sempre mãe, e a menina semrpe respeitou tudo oq ue a mãe lhe dizia, sem questionar-lhe nada... mas desta vez era diferente! A menina lutou lado a lado com o rapaz para poderem ficar juntos, muitos apontavam como um namoro de adolescentes, criticavam, falavam mal...mas eles juntos enfrentaram tudo e sabem que mais? Venceram! A mãe da menina percebeu que não podia mais impedir, que só afastava ainda mais a sua filha e a unia mais ao jovem rapaz!

Foi uma luta muito difícil, mas a rapariga pela primeira vez lutou por algo que queria mesmo, por algo que não podia deixar por obrigação da mãe! Os anos passaram-se, as descussões surgiam e depois tudo acalmava, e passado um tempo tudo voltava de novo...

Hoje, com 18 anos de idade, essa menina tem objectivos, sonhos que quer concretizar, mas acreditem ainda hoje vem impedimentos a esses sonhos, as brigas com os pais parece terem voltado, pai mãe , pai, mãe... quando terá ela de deixar de escolher, deixar de magoar um e fazer outro feliz, quando quer fazer o bem aos dois!

As lágrimas correm-lhe pela face! Mas ouve passos e limpa rápido as lágrimas, nunca ninguém a viu chorar por isto, a não ser o seu namorado, nem nunca ninguém irá ver!

- Gostavas de ver os teus pais juntos de novo?
- NÃO! Prefiro que descutam longe um do outro do que perto. prefiro os ver felizes, do que eu feliz!

E acreditem o namoro ainda pervalece intacto, passados dois anos e 5 meses. Afinal a luta nunca foi em vão!

2 comentários:

O Profeta disse...

Nasceu!
Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento

Bom fim de semana


Doce beijo

Crazy disse...

Entendo este texto muito bem, excepto a parte do namoro graças a deua nenhum pai se opos ao meu namoro. Pode ser que um dia eles se entendam, nunca é tarde para nada.

Beijocas :)